segunda-feira, 25 de maio de 2026

Um outro metroidvania - Ensanguentado - ritual da noite

Ensanguentado - ritual da noite, ou, como o nome original diz... bloodstained ritual of the night.

Uma obra de Koji Igarashi, criador de Synphony of the Night, por ter modernizado e atualizado a obra original, sua proposta em Bloodstained foi de reinventar e reciclar o gênero e o estilo mas acaba por ser mais um repeteco em uma bem aproveitada colcha de retalhos. Bem ordenado nas diversas referências visuais quanto uma amalgama artística que dialoga com as obras mais aclamadas do subegênero, entrega um jogo de aceitável progressão onde a dublagem e o visual são os pontos altos.

Um MetroidVania que surge na vontade de reviver Synphony of the Night lá do antigo e saudos PS1. Não espere grandes coisas, é um caça vampiros cheio de mortos vivos sem fim. Tem vampiros na obra? Verdade, tem muitos mortos vivos e uma infinidade de idas e vindas com cavaleiros, sucubos, cachorros macabros, fantasmas, elementais e monstros que enchem os corredores dos cenários. Mesmo com a opção de viagem rápida, a proposta ainda vai obrigar os jogadores a andar muito pelos cenários, mas não é só isso. E o Dracula aparece? Ele aparece? Sim! Mas não é nem bonzinho, nem malvado, apenas um bibliotecário.

Progressão – uma mistura de RPG com Metroid com estética de Castlevania

Tradicional e cadenciada. Algumas horas com alguns chefes bem complicados e rápidos. Como existe a evolução da personagem, eventualmente se achará itens que aumentam as barras de vida e magia quanto a passagem de nível também faz aumentar os atributos. Felizmente, também existe a evolução das armas, das armaduras, dos itens, para melhorar a personagem e a culinária como fator complementar as poções que salvam vidas. O save point do jogo é nos salões do grande divã onde se recupera vida e magia.

Apesar de não ter dado qualquer valor, inicialmente, da proposta, esta me surpreendeu pela curva de dificuldade e muito mais pela história do que o ato de jogar em si. É mais um jogo de plataforma 2D com cara e alma de Dracula mas que tem uma cara de A Criatura do Victor Frankenstein do que o Conde sozinho. Isso é bom ou ruim? Depende. Tem gente que ama o universo Dracula e de Frankenstein e tem gente que detesta zumbis e mortos vivos (eu por exemplo), mas não deixei de curtir. Faz sentido? Sim! Porque acima de todo tipo de controle ruim, sou jogador nato.

Salvar o jogo, regularmente, você vai precisar.

A parte ruim – ela existe e teima em se mostrar a todo instante

As músicas são cansativas, e algumas delas são realmente muito bem trabalhadas. Criam um bom clima em determinas áreas. Na prática prendem na memória e criam uma dificuldade para sair da lembrança por alguns dias. Outro ponto ruim é a mecânica de atacar pra baixo com armas, seja lança, espada, montante ou adagas. Uma dor de cabeça. Tem horas que funciona, tem horas que não pega. A culpa é dos controles? NÃO! É da programação mesmo que não aceitou o comando. Faltou refinamento. Outra que poderia ser melhor trabalhada é a do salto como ataque. Ficou boa e me salvou de algumas encrencas, mas é muito fraco. Poderiam ter criado uma serie de itens só pra isso mas não tem.

Sua beleza visual – e não é pelas mulheres volumosas que aparecem

Os Gráficos me deixaram surpreso. São realmente a joia da obra. Diversificados e detalhados. Lembram muito os castelos e as igrejas góticas europeias. Se pensar que boa parte da estética do jogo é uma mistura equilibrada das ornamentações e imagens da idade média, com uma pegada de vestimentas do século XVIII, individualmente já serão ricos, juntos, ficam mais ricos ainda.

Também um jogo de gráficos 3D com movimentação lateralizada, ou seja, o tal do 2.5D, tipo Smash Bros. Sente a profundidade mas não há deslocamento para o fundo. Tudo ocorre num grande plano primário, porém, o jogo abusa da técnica de paralelismo visual, isto é, o fundo se move numa velocidade e a frente se move em outra velocidade, criando a sensação de deslocamento. O que é bom pois em cenários externos ficam bonitos, e nos internos criam uma dimensão absurda de grande sem exigir tanto.

Outro ponto positivo é a dublagem das personagens. Cada um tem seu ator de vós, e cada um tem seu sotaque e trejeitos de falar. Condiz com a realidade dessas figuras.

Bloodlass, um dos chefes mais chatos da aventura mas o detalhamento dos trajes das personagens em 3D é de outro nível.

Colecionismo

Para quem gosta de catar trecos e colecionar, o trabalho de achar tudo e liberar todas as conquistas vai ser longa. Apesar de ter demorado mais de 20 horas de jogo para chegar ao final. O jogo tem 2 finais de propósito (um na metade e outro no final da aventura), 54% dos troféus, se consegue com certa facilidade. Ao passar de 98% do mapa, eu parei em 99,7%, a situação se inverteu da 'exploração com descobertas' para uma 'chacina de monstros' intermitente que não levava a mais nada e por isso cansou. Queria a platina mas desisti. 

Além disso tudo, o jogo ainda tem 2 áreas secretas uma fora do mapa e outra com gráficos 8bits que são as piores regiões para se explorar e avançar. Morte aqui vai ser sua amiga de viagem. Vai por mim, nem depois de zerado ficarão mais fáceis, no máximo, levemente menos trabalhosas, pois essas aqui lembram um bom jogo Souls de tão cascudas que são... 

Apesar de ter DLCs com extras e cosméticos, o jogo sozinho é um conteúdo completo e cheio de coisas para fazer. Extras feitos para agradar uma base de fãs sedenta por jogos do tipo mas não funcional para o grande público. Sabendo que o público do jogo ja será reduzido em relação a outros jogos.

Conclusão

Tem uma história que por mais clichê de ser também é divertida. O projeto usa uma solução de construção de roteiros onde o ‘vilão’ da história aparece logo no início. Mas como são 2 vilões, e tem 2 finais diferentes, como assim o roteiro tem relação com isso? Jogue para entender melhor.

Está traduzido em PtBr (menus e legendas), foi uma gratuidade da Epic que me deixou surpreso, tanto pela qualidade dos cenários, música e animações, quanto pela extensão do jogo. Mais longo do que imaginava. Quer algo que vai te dar trabalho? Esse jogo pode passar de 30 horas para 100% de tudo. Boa sorte pois eu não tive tanta paciência assim.

Vale o esforço por cerca de 1 mês.

Qual pode ser o próximo jogo? Fahrenheit (Indigo Profecy) ou WashDogs (Watch Dogs)?

Até o próximo jogo.
Ass.: Thiago Sardenberg

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