terça-feira, 27 de outubro de 2026

A jornada dos reis de Cat Quest 2

Onde a fofura dos, nossos, pets perpassa a mídia...

Depois da aventura original colocar a casa em ordem, a ideia de seguir na mesma tendência gráfica e posição de câmera deu margem a uma nova história. Agora não é um personagem, mas dois que serão controlados. O que faltou ou saiu um pouco fora da curva foi melhorado na segunda aventura. A dificuldade elevada perdeu um pouco de espaço abrindo novas opções de armas, evolução de personagens, itens e missões, que mantiveram o conteúdo secundário em equilíbrio ao primário.

Um mapa mundo maior e com mais inimigos diferentes foi colocado. Os inimigos que existiam no original voltam e ganham novas companhias horripilantes, e algumas bem grotescas. O que antes era para evitar a destruição do mundo, por uma entidade de fora, agora a aventura se foca na destruição das personagens que não querem saber de pacificação. Guerra civil já foi declarada antes do início do jogo. Quem são os vilões? A surpresa final deixará o jogador encucado e com a prévia “o 3º está a caminho”.

Outro ponto que falou foi o jogo em dupla. Agora é possível colocar o jogador controlando um dos personagens principais enquanto o não escolhido fica em segundo plano, controlado pela IA do sistema, e pode alternar no toque de um botão. A outra soluções é se divertir, na mesma tela se cortes, com o 2º jogador no explorar do mapa e enfrentar as ameaças. As magias de área ficaram melhores.

É um jogo, dentro de um gênero, consagrado com estilo próprio e visual cativante. A franquia vale como forma de apresentar aos não conhecedores dos RPGs sua forma de contar histórias. É algo leve e divertido e pode ser uma ótima porta de entrada para os mais novos, onde o visual é gratificante e a dificuldade não impeditiva. Quer jogar com seus filhos? Vá na fé! Vale pra adultos, idosos, crianças e todos os públicos gamers existente.

Dificuldade simplificada

A dificuldade no início está maior que no original mas com o passar das missões e da evolução natural, é um RPG simplificado e desafiador, apesar de curto. As barreiras naturais dos terrenos vão diminuindo com a progressão mas cuidado, o jogador pode ser derrotado por um grupo de inimigos em maior quantidade ou de maior nível, igual um Souls, quando a defesa não funciona. A morte estará perto de você o tempo todo, só não dá as caras, visualmente falando, o que é uma pena.

Em contra partida, dependendo de quem o ataque, será muito fácil, mesmo em nível alto, derrotar ondas de inimigos com velocidade. Recomendo ir aos poucos. É melhor. Mana? Continua acabando mais rápido que o necessário mas a pancadaria recupera ela. E a magia? Continua ajudando mais pra recuperar o jogador do que vencer um chefe. Na dúvida? Vá na boa e velha pancadaria do Deus da Guerra (o bom de guerra para os entendidos da geração PS2), que é mais eficiente.

O sistema de missões mudou e agora são personagens que as dizem, nos diálogos, e não mais identificadas num painel de recados nas vilas do cenário. O que mantiveram foi o nível da missão, variando entre 1 a 4 estrelas de progressão. A dificuldade continua tendo como base o nível das personagens. Ou se está 1 pra 1 ou vai perder tentando porque ainda está fraco para quele desafio. Aconselho ter nível mais alto pois algumas são realmente bem difíceis.

Poucos chefes pelo mapa e poucas cavernas com desafios complexos

Apesar das cavernas e alguns cenários fechados terem passagens secretas elas também sofreram redução mas, para compensar, algumas masmorras têm segredos divertidos de missões pra se desbloquear. Repeti-las vai ser bem comum. Ora porque não se ter o nível adequado pra enfrenta-la ora por não estar em uma missão que obrigue a exploração de determinados espaços. Um saco mas passa.

As músicas, literalmente, não sofreram mudanças. Uma ou outra adição pois é um novo jogo, mas cheio de regrinhas do antigo que foram mantidas. Os diálogos também continuam longos mas são necessários pois estou falando de um RPG. E... Aumentar nível de armaduras e roupas exige ouro, muito ouro. Visitar uma personagem regularmente é o mote enquanto para armas e escudos exige outro, em um segundo continente, do outro lado do mundo. O jogador vai andar bastante...

A parte bacana, adição importante, foi a criação de um sistema de portais que acelera a mudança de local. Ficou interessante mas no final, nem era necessário. Poder correr pela água e acessar ilhas ao redor dos continentes se tornou mais útil (nível e dinheiro pedem essa exploração constante).

Colecionáveis? Alguns...

Com 9 conquistas somente, bem baixo esse número, não significa que será rápido ou fácil conseguir todas elas. Algumas darão bastante trabalho e vão obrigar a gastar um bom tempo procurando as soluções de desafios secundários mais longos.

100% traduzido, menu, itens, diálogos, e algumas piadas, com sotaque de mineiro ou nordestino, o jogo recebeu um tratamento especial para Brasil. Essa delicadeza na tradução me deixou feliz. Parabéns para o time que prestou atenção nesse detalhe.

Disponível na Steam e GOG (trilogia) e na EPIC (versão que joguei) precisará cerca de 15 horas para completar a aventura. A maior dificuldade é conseguir controlar as personagens no teclado e mouse e por isso prefira controles (Xbox ou PSx) esse detalhe te salvará da sua frustração e seu periférico de umas boas pancadas quando tudo der errado, e vai por mim, não serão poucas...

Para quem ficou curioso, no jogo original se controlava um gato (pelo nome é bem evidente), neste segundo será um gato e um cachorro em uma guerra civil entre eles e seus reis. Quem vai vencer? Quem vai perder? Jogue pra saber.

Recomendo pela diversão pura e simples e pela dificuldade moderada.

Ass.: Thiago Sardenberg
Até o próximo jogo.

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